Agora com algumas idéias... Mas e o ideal?

Pedalando ao Sol

Audax 200km 17/01/2010


Domingo de madrugada. Um cento de ciclistas esperando a largada no Shopping Tijuca. Carro madrinha escoltando o comboio. Pelotão encarando as vias mais movimentadas da cidade. Foi a visão que tive ao rolar com um monte de audaciosos pela Av. Presidente Vargas. O dia prometia muito calor mas o que estava dando as caras era a adrenalina de pedalar junto a essa galera, principalmente depois que o carro madrinha nos liberou na Av. Rio Branco. Como tinha imaginado, foi uma correria até a subida da rua Alice, pois o horário de fechamento do PC1 seria apertado. Tendo feito o (quase) mesmo percurso em 2009, sabia que não poderia enrolar muito neste trecho. Desta vez escalei as paineiras acompanhado de vários ciclistas, alguns de speed, muitos de mtb, num ritmo que me faria chegar no PC1 a tempo e ter forças pro resto do percurso. Ao mesmo tempo lembrando que não estava sentindo as dores do joelho que me acometeram antes da subida da rua Alice da vez passada. PC1 chegou no horario, com fila, para o carimbo. Reabastecimento e pitstop no banheiro. Fiquei imaginando que poderia ser mais tranquilo subir a vista chinesa sem as dores do ano passado. E foi, apesar de ter que maneirar nas decidas por causa de uma sapata de freio quase na lona, verificado na noite anterior a largada, sem possibilidade de encontrar uma bike shop aberta antes do Audax.
A segunda perna não fora rápida. Atravessei Barra e Recreio praticamente sozinho, o pessoal que estava acompanhando estavam no desafio 100 e ficaram no PC da Praça do Ó. No Recreio o calor, a sede, a fome e o desconforto da ciclovia de blocos de concreto deram as caras. Comecei a me perguntar por que estou fazendo isto de novo, já sabedor dessas dificuldades. Perto do PC2, meio que passando mal de fome e sede, uma senhora grita dizendo que a parada está proxima, que não desista. Não sei se ela era voluntária, mas que me deu uma injeção de ânimo até conseguir chegar ao PC2.

Comi, tomei guaraná a rodo. Carreguei as garrafinhas. Sabia que elas não aguentariam a distância ate o PC3, a perna mais longa, mas me enganei e parti rumo a Av. das Américas debaixo de um calorão. Chegando próximo ao Barra Shopping me passa outro audacioso, perguntando por onde deviamos passar. Como as regras nos obrigavam a pegar as ciclovias, não tive dúvidas: caí pro canteiro central e pedalei entre frondosas árvores até o Città America. O outro ciclista que estava até mais rápido, ficara para trás. Quando retornei do viaduto do downtown, pronto para voltar pra ciclovia, percebo uns 3 audaciosos ainda descendo em direção ao viaduto. Segui meu rumo até o Barra Shopping, Via Parque, Ayrton Senna, alça da Vila do Pan, autódromo e Salvador Allende com destino a Av. das Américas denovo. Neste ponto o maçarico estava no máximo, junto com as crateras lunares e a falta de água nas caramanholas. Estradinha ruim, sem acostamento. Estava rezando por uma sombra e para que nada de errado acontecesse com a bike, pois seria um inferno se tivesse que parar para qualquer conserto. Com a lingua de fora chego nas Américas e avisto um oasis. Habibs com 2 caras saindo de la perguntando se estávamos no caminho certo. E eu perguntando se tinha água na banca de jornal. Eles se foram e eu fiquei no meu então PC particular. Enchi os suprimentos, um sorvete para abaixar a temperatura e um pouco de água na cabeça pra esfriar os miolos. Daqui pra frente só pauleira com o sol a pino. Estradas intermináveis, muitas poças das chuvas anteriores e muitos buracos. O meu estoque de gel de carbohidrato acabara ali mesmo, sem lembrar que ainda tinha a subida do  Joá para vencer. Chego no pontal e no PC3. Cansado, com dores na lombar. Foi a minha parada mais longa. Tanto que chegou uma turma de 7 fazendo um fuzuê. Lembrando que não tinha acabado e estava sempre no limite do horario dos PCs. Fui embora sozinho, lutando contra o vento no Recreio e Barra. Antes de subir o Joá mais uma parada na padaria, tentar recuperar forças que não vieram. Tive que empurrar toda a subida. Apesar de não estar com caimbras elas davam o ar da graça quando eu pedalava mais intensamente. Torrei ao sol e na chapa de pedra da Av. Niemeyer, mas desta vez o PC4 veio rápido. Paradinha para por um pouco mais de água e reagrupar com mais dois ciclistas, encarando o vento e os incautos que insistiam em transitar pela ciclovias de Ipanema, Copa e Aterro do Flamengo. 

Do PC5 na Lapa, só a lembrança de que já percorremos praticamente o Audax inteiro. Seria o sprint final. Ainda com dores na lombar deixei os companheiros irem na frente enquanto eu botava um gelo nas costas. Pra mim seria como se tivesse voltando pra casa, pela frequencia com que eu faço aquela rota. Tão rápido que quando percebi, todo sofrimento tinha ficado para trás. Não parecia que tinha ficado debaixo de sol o dia inteiro e que não havia outra dor, a não ser a de ficar sentado 12h30 numa bike com pneus finissimos e sem suspensão. Pois é no momento que ao cruzar a linha de chegada tudo isso fica irrelevante e só o que se consegue pensar é: EU CONSEGUI!

Scout: Av: 18,9Km/h, Mx:57,5Km/h, Cal: 2.807,2, Tm: 10h13m21s, Dst: 193,96Km

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